terça-feira, 28 de agosto de 2007

SILÊNCIO

Mario Waddington

Vejo-te como uma pequena chama,
Incrustada no interior do templo da Vida,
De luz tênue, a mercê do vento ou da brisa,
Solitária e indecisa, incrédula com a tua própria força.

Silêncio,
Somente a débil claridade da tua energia se faz presente,
No ínfimo espaço que possuis,
Por força do isolamento escrupuloso.

Linda mulher, mas no seu ar misterioso e contido,
Deixa escapar o calor que existe num coração dolorido,
Incapaz de confessar temores, falar de sonhos,
Incapaz de rir das peças hilariantes do destino.

Nada procuras, apenas deixa passar e espera momentos,
Como as folhas que se arrastam penosamente na corrente do rio,
Sem vida, sem força, sem destino,
Tentando se prender as pedras na busca de um novo caminho.

Se soubesses que a vida nada exige,
Que respeita teus desejos e sonhos,
Que canta tuas vitórias e derrotas,
Como parte do progresso das existências.

Que chora e ri das tuas experiências,
Na insana busca da felicidade subjetiva,
Dos sonhos e quimeras
Que te afastam do rumo norte,
Para viver apenas como espuma do mar.

Desperta o som de tua voz,
Faça clarear a tua chama,
Deixa esquentar as emoções da alma,
Para, no Templo da Vida,
Existir no verbo amar.

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