segunda-feira, 27 de agosto de 2007

DOCE FANTASIA

Mario Waddington

A imprevisibilidade da vida é a angústia mais latente,
Fingimos ignorá-la substituindo-a por outros medos,
Mas seu poder, como a tempestade que surge repentinamente,
É impossível de ser reprimido, pois é inflexível.
Qual o momento? Qual à hora? Qual o tempo?
Não sabemos. Só conhecemos a verdade através da ilusão,
Que tudo ameniza, que tudo ampara e que tudo embeleza.

Ah! Doce fantasia! Que nos dá a idéia da eternidade,
Fazendo-nos progredir e alar nossos sonhos,
Fazendo da quimera a realidade,
Transformando o simples ato de viver numa interminável tragicomédia.

O que guardamos tão secretamente,
Que nos faz mesquinhos, intolerantes?
Quantas palavras se usam para determinar nossos axiomas?
Por que tanta avareza se temos apenas a alma?
Será que somos uma mentira?

Ah! Doce vento! Que me traz o cheiro da terra molhada,
Que me afaga em teu frescor,
Que desperta a minha alegria,
E me livra temporariamente das impetuosas manias do ter,
E do ser, sem ser.

Ah! Impassível tempo!
Que na sua rigorosa labuta,
É cego e surdo na efemeridade dos sentimentos.
Adverso às fantasias humanas,
Corre contra si mesmo para o derradeiro fim,
E o começo de tudo.

Da arrogância a humildade do vencido,
O imprevisível conduz o homem ao seu lugar,
Abrindo a caixa dos seus segredos,
Expondo-os ao silêncio da sua enigmática consciência.

Ah! Doce fantasia! Que nos dá a idéia da eternidade.
Que faz do passado um retrato e, do futuro,
Momentos para sonhar.

Ah! Facciosa fantasia!
Pois como ostras agarradas às pedras,
Sob a fúria ininterrupta do mar,
Permanecemos assim, quietos,
Deixando o tempo apenas passar.

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