Mario Waddington
Deslumbrando os outeiros do teu corpo, de mim distantes,
Imagino as diversas nuances de tua cor;
Que pontilham as tuas sutis estradas,
E que dão acesso à transparência dos teus olhos,
Que convidam um artista as mais lindas canções e poesias de amor.
De que valem à experiência e o vigor do poeta,
Se o amor que procura é o da construção do ninho,
Parca filosofia humana da necessidade inesgotável de preservação.
Quem desbravará, contudo, toda a sinuosidade dos teus caminhos,
Respeitando a exuberância da tua paisagem,
Para respirar profundamente, na tônica do amor,
O aroma despertado pelo desejo da conquista?
Quem saberá olhar na profundeza dos teus olhos,
O desejo e a submissão,
Entender de tua boca entreaberta e ofegante
A ordem de ser possuída?
Enquanto isso o tempo passa, inexorável,
Pouco se importando com a timidez dos sentimentos,
Pois é eterno e não temporário como a matéria que abriga a alma,
Tornando-o insensível as cores, as dores, a terna melodia da emoção.
Quanto medo sinto em vê-la agarrada à pedra,
Como a folha que se recusa a seguir o curso do caudaloso rio,
Por não entender o teu destino,
E as dificuldades do teu caminho.
Mas volto o olhar para a vida e visualizo a beleza do momento,
E sinto toda energia emanada do teu corpo em êxtase.
Vejo tua exuberância feminina em tremor,
Onde tua delicadeza pede para ser explorada até no mais ínfimo detalhe.
Escuto a canção dos teus gemidos,
Dos teus pedidos.
Emociono-me com as tuas lágrimas
E o despojamento das tuas forças, vencidas.
Como és linda!
Como és pura!
Como és sedutora!
Mas tu és a quimera do meu amor poeta,
Apenas uma ilusão.
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
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